Vida Universitária

domingo, 27 de setembro de 2009
"O que lhe é essencial?"


A pergunta não foi dirigida a mim, mas em um momento de uma aula, um professor perguntou a um aluno o que era essencial à vida dele. Aquilo que, se retirado, faria sua vida perder o sentido.

Quando ouvi a pergunta - bem do tipo das que mais gosto - logo me pus a pensar. O que era, de fato, essencial à minha vida? Aquilo com o qual eu não conseguiria viver sem? Pensei por uns instantes e a primeira resposta que me veio foi: "amigos". Sem dúvida, pessoas com uma importância ímpar em minha vida. Mas se todos eles morressem em um acidente catastrófico ou simplesmente deixassem de ser meus amigos por motivos diversos? Eu deixaria de viver?
A vivência de finais de semana completamente sozinho em uma casa pra lá de bagunçada me mostrou que não, eu não deixaria de viver caso ficasse sem amigos. É claro que não abro mão de minha vida com eles, mas percebi que eles não são a essência da minha vida, embora possam ser combustíveis, apoios, forças e toda uma sorte de caracterizações que demandariam a escolha de muitas mais palavras.

Então, afinal de contas, o que era a essência da minha vida? A essa altura do campeonato, o garoto a quem a pergunta tinha sido originalmente dirigida já havia respondido: "Família". Pensei sobre isso. Foram incontáveis as vezes que ouvi a respeito da importância da família e como ela é realmente a única coisa que "sempre estará lá por você". Mas, sinceramente, nunca fiz disso um dos norteadores da minha vida. Por sabe-se lá quantos acidentes de percurso e estímulos casuais, me tornei alguém pra lá de desapegado à idéia de que minha família é meu porto seguro e que sempre estarão lá por mim. Para o bem o para o mal, não é esse o ponto central de minha vida, muito embora eu não ache que alguns familiares deixariam de fazer o possível para me ajudar, caso precisasse. Só não faço disso um dogma.

E a interrogação se instalava mais profundamente. O que me era essencial?
Pensei, pensei e pensei e dali a uns minutos tive a resposta que, admito, me surpreendeu.

Minha essência, pelo menos nesse momento de vida, era a crítica.
Por "crítica" refiro-me a um posicionamento crítico frente à vida como um todo, não a palavras que criticam diferentes situações (embora isso também possa fazer parte de um posicionamento crítico). O que me é essencial para viver é ter a capacidade de olhar para diferentes situações e construir uma opinião realmente minha sobre cada uma delas. É-me essencial sentir-me deslocado do mundo em alguns aspectos e não me ajustar a eles só para eliminar a sensação de patinho feio. É essencial ser desassossegado com condições adversas, é essencial querer mais do que me é apresentado numa primeira vista, querer extrair mais de mim, ter agonia da estabilidade, desconfiar do perfeito, querer o concreto.

O essencial para mim é ser o peixe que nada contra a correnteza do rio.
posted by Rafael @ 15:47  
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Por quê? Depois de um intenso ano de estudos consegui o que queria: uma vaguinha em uma univer- sidade pública, no caso, a Unesp. Com o pacote, veio a necessidade de deixar Sampa City e começar uma nova vida aqui.

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