Vida Universitária

quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Para o mundo, pára o mundo


Um homem discursa para quem quiser ouvi-lo:

"Que correria! Quanta pressa!
Onde todos querem ir? Ao trabalho? Ao almoço? Para casa?
Para quê? Porque têm que ir? Porque precisam ir? Porque é bom irem?

Ora, acalmem-se! Parem por um momento, larguem suas pastas, desabotem seus paletós, soltem os cabelos. Vão ao encontro de si mesmos, sem pressa, sem tempo de início, sem hora de terminar. Desapaguem-se do tempo, esqueçam os bips que marcam horas a menos no dia. Horas que passam, na verdade, são horas a mais - mais uma hora vivida, utilizada, respirada.

Que diabos é o tempo, se não o espaço em movimento? Os ponteiros do relógio andam, o tempo anda. A hora digital avança, o tempo avança. A Terra se movimenta, o tempo passa. Sem marcadores, não há tempo.
Ele é uma estúpida invenção do homem que procura dar a ele a falsa sensação de estar no controle de alguma coisa. Administrá-lo, marcar e desmarcar compromissos, seguir uma agenda ou um cronograma nada mais é do que uma tentativa frustrada de manipular hermeticamente a vida. O que há de ser feito amanhã cabe às circunstâncias decidirem.

Encontremo-nos. Alegremo-nos sem nos preocuparmos até quando a sensação durará, até quando o riso estará lá. Façamos as coisas preocupados apenas com suas intenções e não com suas finalidades.

Mas não! Abrir mão do controle da vida, sair de um percurso com início, meio e fim e realizar tarefas sem propósitos finais é demasiadamente assustador para o homem teleológico.
Ele vive em um túnel grande e escuro que indica uma linearidade de caminho, mas não consegue enxergar seu fim. Sua própria segurança - a idéia e controle temporais da vida - é também sua prisão... sua frustrante prisão. Pois vejam: o homem satisfaz-se em se coordernar através de horas e meias horas, preenchendo-as com o que acredita ser útil, importante e ou necessário, ao mesmo tempo que busca um dia em que não mais precisará preenchê-las desta forma. Ele procura um fim. Mas ao achá-lo, frustar-se-á quando ver que o tempo imaterial - o tempo de fazer amigos, de mantê-los, de fazer amor - não estará mais lá e tudo que lhe resta é o tempo do relógio.
O homem vive nesse túnel, com medo do campo aberto por debaixo do qual está.

Ater-se ao tempo é tecer-se de transtornos.
Transtornar-se é não ter todo o tecido.
É não ter o Todo tecido."

O homem calou-se e seguiu caminhando, estranho.
posted by Rafael @ 10:48  
1 Comments:
  • At 1 de setembro de 2008 às 19:33, Blogger mayra said…

    tempo... maldito tempo.
    esses dois últimos anos tenho vivido completamente presa a esse tempo sempre injusto. contando os dias, as horas para a decisão final, quando eu irei poder, enfim, viver (ou não).
    argh, maldito tempo...

     
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Onde? Bauru, SP

Por quê? Depois de um intenso ano de estudos consegui o que queria: uma vaguinha em uma univer- sidade pública, no caso, a Unesp. Com o pacote, veio a necessidade de deixar Sampa City e começar uma nova vida aqui.

E...? Estudo psicologia

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